



O Prêmio Nacional para Mestras e Mestres de Povos Quilombolas é um chamado ao reconhecimento daquilo que sustenta a vida nas comunidades: a ancestralidade viva. Ele nasce para honrar mulheres e homens que, ao longo de décadas, cuidaram da memória coletiva, protegeram os territórios tradicionais e mantiveram acesa a chama dos saberes herdados de geração em geração.
Nas comunidades quilombolas, o conhecimento não está apenas nos livros — está na palavra dita na roda, na reza sussurrada ao amanhecer, no plantio que respeita o tempo da terra, na pesca que conhece o ritmo das águas, na luta firme contra toda forma de apagamento. As mestras e mestres são guardiãs e guardiões desses mundos. São referências éticas, espirituais e políticas. São quem ensina fazendo, vivendo, partilhando.
Este edital reconhece que esses saberes têm valor histórico, cultural e social inestimável. Reconhece que a defesa do território é também defesa da memória, da dignidade e do futuro. Reconhece que a (re)existência quilombola não é apenas passado — é presente e projeto de amanhã.
Valorizar essas trajetórias é afirmar que o Brasil se constrói também a partir dos quilombos. É compreender que sem seus saberes não há justiça, não há reparação, não há país inteiro. Este prêmio é, portanto, um gesto de respeito, de escuta e de compromisso com a continuidade das vidas, das lutas e dos territórios quilombolas.
O Prêmio Nacional para Mestras e Mestres de Povos Quilombolas foi criado para reconhecer pessoas que dedicaram a vida inteira ao cuidado com a comunidade, à preservação dos saberes ancestrais e à defesa do território quilombola. É uma homenagem às trajetórias construídas com compromisso, resistência e amor pelo seu povo.


Quem Pode Participar
Podem se inscrever pessoas com 60 anos ou mais, que pertençam a uma comunidade quilombola certificada pela Fundação Cultural Palmares, e que tenham pelo menos 5 anos de atuação comprovada na preservação e transmissão de saberes e práticas tradicionais. A inscrição precisa ser feita com a indicação formal da própria comunidade, por meio de carta assinada por lideranças locais — afinal, são as comunidades que reconhecem suas mestras e mestres.
Prazo de inscrição
As inscrições são gratuitas e realizadas somente pela internet, na plataforma da UFRB, dentro do período estabelecido no cronograma oficial do edital. O prazo será de 30 dias, contados a partir da abertura das inscrições. É importante acompanhar o site para não perder as datas!!
Valor do prêmio
Serão concedidos 10 prêmios, distribuídos entre as regiões do país, garantindo representatividade nacional. Cada pessoa contemplada receberá o valor líquido de R$ 30.000,00 (trinta mil reais). O prêmio é o reconhecimento público da importância dessas trajetórias para a história e para o futuro das comunidades quilombolas.
Mais do que um valor financeiro, este prêmio representa respeito, valorização e compromisso com aqueles e aquelas que mantêm viva a memória, a cultura e a luta dos quilombos no Brasil.
Convite
Há pessoas que são como raízes antigas: sustentam a comunidade mesmo quando quase ninguém vê. São aquelas que guardam as histórias que não estão nos livros, que conhecem o tempo da terra, que sabem a força das águas, que curam com folhas, palavras e fé. São aquelas que ensinaram pelo exemplo, que acolheram nas horas difíceis, que estiveram na linha de frente quando o território precisou ser defendido.
O Prêmio Nacional para Mestras e Mestres de Povos Quilombolas nasce para reconhecer essas vidas inteiras dedicadas ao bem coletivo. Não é apenas um prêmio. É um gesto de respeito. É uma forma de dizer, em voz alta, que os saberes quilombolas têm valor, têm dignidade e são fundamentais para o presente e para o futuro do nosso país.
Cada mestra e cada mestre carrega uma biblioteca viva no corpo e na memória. Carrega cicatrizes da luta, mas também carrega sementes. São eles e elas que garantem que a ancestralidade continue caminhando entre nós. Que a juventude saiba de onde vem. Que o território siga sendo espaço de vida, e não de esquecimento.
Por isso, este é um convite feito com cuidado: conversem na comunidade, lembrem de quem ensinou, de quem cuidou, de quem resistiu. Organizem-se. Indiquem essas pessoas. Tornem público aquilo que vocês já sabem há muito tempo — que essas trajetórias merecem ser honradas.
Inscrever uma mestra ou um mestre é um ato de amor coletivo. É transformar reconhecimento em registro. É fortalecer a memória. É afirmar que os quilombos seguem vivos, firmes e cheios de futuro.
Que cada inscrição seja também um abraço na ancestralidade e um passo a mais na caminhada pela valorização dos saberes e dos territórios quilombolas. Se você é mestra ou mestre, ou se conhece alguém que é, não deixe essa oportunidade passar. Este prêmio é uma forma de honrar caminhos já percorridos e fortalecer os passos que ainda virão. Que as inscrições sejam também um momento de celebração da memória, da coletividade e da força viva dos quilombos.
